Programação Cine Às Escuras Mostra Erótica de Cinema Acessível

​Projeto inédito no Recife, a mostra nacional de filmes eróticos “Cine Às Escuras” divulga a programação de sua primeira edição, ​que acontece de 17 a 22 março de 2016, em sessões gratuitas, no Cinema do Museu, em Casa Forte. Além de exibições de filmes nacionais e internacionais sobre o universo erótico​, a mostra é pensada para todas as pessoas interessadas em filmes com a temática erótica e aborda a inclusão,​ com legendas descritivas, libras e audiodescrição​.​ ​A VouVer ​Acessibilidade, realizadora do evento, ​traz ainda na programação oficinas sobre os temas​.

Fotografia colorida de três homens, lado a lado, abraçados. Dois deles se entreolham com os lábios próximos. Atrás deles, prédios em construção.

Fotografia de um dos destaques da programação, o longa-metragem “Nova Dubai”, de Gustavo Vinagre.

​​Com toda a sua programação disponibilizada com recursos de acessibilidade comunicacional por meio de audiodescrição, libras e legendagem descritiva, ​​​apresentando ao público filmes do universo erótico​,​ a mostra de cinema Cine Às Escuras divulga programação completa. Uma realização da VouVer Acessibilidade, com incentivo do Funcultura, a mostra selecionou oito curtas metragens e dois longas, entre produções pernambucanas, paulistas, cariocas, gaúchas e um lespanhol, e acontece de 17 a 22 de março, com programação totalmente gratuita, no Cinema do Museu, em Casa Forte. Visando oportunizar a discussão sobre o corpo, sexualidade e acessibilidade no cinema, todas as obras selecionadas para as exibições receberam a acessibilidade comunicacional, oportunizando que pessoas com deficiência visual e auditiva possam também usufruir das produções audiovisuais selecionadas.

Segundo a coordenadora da mostra Andreza Nóbrega,  a proposta de realização do Cine Às Escuras surgiu de uma demanda existente de pessoas com deficiência. “​Comecei a perceber que algumas temáticas sofrem determinados tabus na nossa sociedade, sobretudo na área da da acessibilidade comunicacional. E eu gostaria de explorar essas temáticas para atender um público que já expressa desejo por este universo”, explica Andreza, que é mestra em educação pela Universidade Federal de Pernambuco e especialista em audiodescrição pela Universidade Federal de Juiz de Fora​ (MG)​.

Andreza Nóbrega destaca ainda que, apesar da mostra abordar a temática do erotismo, não se trata de pornografia. A diferença, segundo explica, está principalmente no cuidado estético das obras: “A obra pode ser explícita e ainda assim ser erótica. O Cine Às Escuras é um convite para que o público em geral se perita a ver, ouvir e sentir o que essas provocações estéticas podem emanar”. “Este é um tema delicado e ainda muito cercado de preconceitos, especialmente quando se trata da disponibilização dos recursos para as pessoas com deficiência, que por vezes, de forma equivocada, são infantilizadas ou vistas como seres assexuados”, defende a coordenadora.

As obras inscritas foram analisadas por uma comissão nomeada pela coordenação do evento, formada pela cineclubista Amanda Ramos, a jornalista e educadora sexual Julieta Jacob (Erosdita) e a professora de Cinema da UFPE, Cristina Texeira. Foram selecionados  “Popoxexeca” (SP), de Ioanna Pappou e Ruth Steyer; “Yes, we fuck” (Espanha), longa metragem de Antonio Centeno Ortiz e Raúl de la Morena; “Filme para poeta cego” (SP), de Gustavo Vinagre; “Sujo” (PE), de Anderson Almeida, Brenda Souza, Erlânia Nascimento, Everton Frederic Hermany e Sheila Pereira; “Eu queria ser arrebatada, amordaçada e nas minhas costas tatuada” (RJ), de Andy Malafaia; “Virgindade” (PE), de Chico Lacerda; “Um outro ensaio” (RJ), de Natara Ney; “Tubarão” (PE), de Leo Tabosa; “Messalina” (RS), de Cristiane Oliveira; e “Nova Dubai” (SP), longa metragem de Gustavo Vinagre.

Para a curadora e pesquisadora de audiodescrição e legendagem, Sara Benvenuto, “Às Escuras é uma mostra de filmes que abordará o tema do erotismo com o propósito de provocar questionamentos sobre o corpo, relacionamentos, identidade sexual e tantas outras infinitas possibilidades que a sexualidade/sensualidade e experimentação podem trazer aos seres sexuais. Além de tudo, essa apropriação poderá confrontar velhos paradigmas e estabelecer novas e bem-vindas discussões sobre arcaicas normas sociais”, afirma.

Além das exibições, a mostra Cine Às Escuras conta com um eixo formativo composto por duas oficinas gratuitas em sua programação: “Legendagem descritiva” e “Audiodescrição no audiovisual”. Ministrada pela Mestre em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) Bruna Leão, a oficina “Legendagem descritiva” aborda os estudos da tradução audiovisual envolvendo a legendagem para surdos como um recurso de acessibilidade comunicacional. Nela, os participantes terão contato com os princípios básicos da legendagem para surdos e ensurdecidos em produções audiovisuais; uma abordagem teoria e prática sobre alegendagem para surdos; além da experimentação, elaboração de edição de legendas.

Já a oficina “Audiodescrição no audiovisual”, ministrada pelo também Mestre em Linguística Aplicada pela UECE Klístenes Braga, faz um panorama pelos estudos da tradução audiovisual, envolvendo a audiodescrição (AD) como um recurso de acessibilidade cultural e educacional para produções audiovisuais. Além de conteúdos teóricos e uma análise das pesquisas realizadas no Brasil sobre o tema, os participantes receberão uma introdução à elaboração de roteiros de audiodescrição utilizando o software Subtitle Workshop.

De caráter não-competitivo, a Mostra Às Escuras é uma realização da VouVer Acessibilidade, uma da empresas pioneiras no ramo da acessibilidade comunicacional no país, com incentivo do Funcultura, e tem como objetivo difundir a produção audiovisual brasileira em formato acessível. Entre os trabalhos já realizados pela VouVer Acessibilidade, estão importantes projetos inclusivos envolvendo recursos de acessibilidade tais como: audiodescrição, legendagem descritiva, libras, braille em produções artísticas e culturais (cinema, teatro, dança, circo, ópera).​

A empresa já acumula atividades em grandes eventos como a Fenearte – Feira de Nacional de Negócios do Artesanato, Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, FITO – Festival Internacional de Teatro de Objetos, Festival de Inverno de Garanhuns, Janeiro de Grandes Espetáculos e Projeto Palco Giratório Nacional. Além de ser idealizadora de um importante evento que reúne profissionais de todo o Brasil, O Encontro de Acessibilidade Comunicacional em Pernambuco, que este ano vai para sua terceira edição.

EXIBIÇÕES DE FILMES

Quinta-feira (17/03) | 19h30
Popoxexeca (SP), de Ioanna Pappou e Ruth Steyer (curta)
Yes, We Fuck (Espanha), de Antonio Centeno Ortiz e Raúl de la Morena (longa)

Sexta-feira (18/03) | 19h30
Filme para poeta cego (SP), de Gustavo Vinagre (curta)
Sujo (PE), de Anderson Almeida, Brenda Souza, Erlânia Nascimento, Everton Frederic Hermany e Sheila Pereira (curta)
Eu queria ser arretabata, amordaçada e nas minhas costas tatuadas (RJ), de Andy Malafaia (curta)

Sábado (19/03) | 19h30
Virgindade (PE), de Chico Lacerda (curta)
Um outro ensaio (RJ) de Natara Ney (curta)
Tubarão (PE), de Leo Tabosa (curta)

Domingo (20/03) | 19h30
Messalina (RJ), de Cristiane Oliveira (curta)
Nova Dubai (RJ), de Gustavo Vinagre (longa)

AÇÕES FORMATIVAS

(21/03)Oficina “Legendagem Descritiva”
Segunda-feira (21/03)
Turno: manhã e tarde
Ministrante: Bruna Leão (UECE)
Carga horária: 6h

21 E 22/03 Oficina “Audiodescrição no Audiovisual”
Segunda-feira (21/03) e terça-feira (22/03)
Turno: noite/manhã
Ministrante: Klístenes Braga (UECE)
Carga horária: 6h

SERVIÇO:

Local: Cinema do Museu

Endereço: Av. Dezessete de Agosto, 2187 – Casa Forte, Recife. (Museu do Homem do Nordeste)

Público-alvo: Filmes para maiores de 18 anos.

Entrada gratuita (sujeita à lotação do espaço)

Eu queria ser arrebatada: Fotografia colorida de uma mulher nua e de salto alto numa boate. Ela está com o corpo de perfil e olha para frente, a mão direita próximo a virilha e a outra toca a bunda empinada. Luzes azuis e vermelhas banham o corpo dela. 
 
Nova Dubai: Fotografia colorida de três homens, lado a lado, abraçados. Dois deles se entreolham com os lábios próximos. Atrás deles, prédios em construção.